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18 de março de 2012

Eu sou

Eu sou,
uma bola de neve,
completa com espinhos,
que nasceu do ar,
e morreu do sal do mar.

E eu,
jamais serei algo,
que nao isso.

31 de janeiro de 2012

Sei tanto que não sei nada

Tenho me convencido que sempre soube que ia dar para o torto, que os sinais já la estavam, e o alarme tinha soado. Tinha me convencido de que tu soubeste mais e maior, e que tinhas razão. Encontrar-me estava cá dentro, não la fora.
E agora sei, ou convenci me que sei, que, por vezes, a inteligência das emoções 'e tão crua, que te parte aos cacos, e te esfarrapa o vestido. Deixa-te nua, gelada e apática.
E sem hipótese de cura, o que se faz?
Eu só aprendi, a chegar la acima, saltar, e cair, negra no verde  dos debaixo. Sim, levanto-me, e fico um tiquinho mais alta, mas há cacos, que se perdem no vento, sem regresso. 
Pergunto-me, como crescer, sem me morrer pelo caminho? E que eu não sei, e já esta na altura de saber, pois o  este meu vaso, pintado a luz da lua, um dia já não haverá fita cola que o aguente. 
Da nortada do dia de hoje, sei que a super cola, também já não resulta.
E agora Marta?

21 de janeiro de 2012

Brutal

'E brutal, o sol que se abre nos meus olhos,
quando abro as suas cortinas de manha.

'E brutal, as estrelas que brilham la em cima,
quando as luzes ca em baixo me ofuscam.

'E brutal, quando sonho, que um dia,
vou conquistar os meus sonhos.

'E brutal, quando 'a reveria, do que se exige,
os passos dados parecem desaparecer no asfalto.

'E brutal, quando me amas sem fim,
de luzes e portadas abertas.

'E brutal, quando me quebras o espirto,
que nem espelho face ao reflexo deformado.

'E brutal, a minha consciencia ser livre,
e os meus bracos me amarrarem as pernas.

'E brutal, estar tao feliz, e ao mesmo tempo tao so'.

'E brutalissimo, finalmente, escrever me sem me assassinar ao mesmo tempo.

Porque o poeta escreve sempre com a caneta apontada ao seu proprio peito. (Manuel Alegre)

Porque a minha caneta ja nao existe, e eu ja nao sou poeta.

Porque sou finalmente livre de mim propria.

3 de dezembro de 2011

E das trevas nasce a luz. Ou sera que o contrario?

Eles dizem, eles fazem. Eu comparo e nunca acaba bem. Uma situacao 'e fechar os olhos ao mundo, naquela de quem pensa que tudo vai acabar amanha, mas conscientemente sabe, sente e admite a escolha. Outra, e essa, toma um rumo diferente na escadaria que te leva do coracao ao cerebro, 'e admitir: que finalmente a abertura desses olhos, e pensando, desta vou ver, nao se conseguir ver nada.
E passam-se as horas, que se tornam em meses, a divagar entre o ser e o nao ser, aquilo que se quer fazer, e o que de facto se consegue.
E eles dizem, eles fazem. Falam de objectivar, subjectivando; de contar os minutos mais atentamente, de se ser mais honesto para com as paixoes e as decisoes. Mas nunca fazem, com que eu no fundo daquele meu fundo, acredite que a essencia do ser humano, pode por ultimo, mudar para satisfazer as regalias do dia-a-dia, aquelas que se confundem com momentos de felicidade, por aqueles que ainda acreditam que a felicidade se constroi, se vivendo momento a momento.
Pois como disse, nao me fazem acreditar. A natureza da mentira natural, do egoismo psiquico, da ambicao da comparacao desmedida, da ascensao, dos corpos, das almas, a um ceu, a um palco, que nao e mais, do que o reflexo da necessidade extrema de se ser sempre melhor.
A vida passou me um comprovativo em que se le "Tristeza e felicidade sao dependentes e viciosas". E hoje observo a minha alma, a perguntar ao meu espirito: Porque hei de querer ser melhor? Ser melhor, crescer, evoluir, significa tudo mais. E se eu conseguisse ficar no ponto zero?
Nao sou nada, nao quero nada. Existo. E nessa minha existencia neutra, residiria o verdadeiro poder para se viver esta que dizem que 'e minha vida.
Nem em mim sei se acredito. A ver vamos.

19 de junho de 2010

Countdown - 12 dias

Estou a preparar a mala.
Aquela que vai guardada no meu coração.
De tudo, de todos. De mim.
Brevemente tudo vai mudar.
Despeço-me deliciada com a expectativa.

1 de junho de 2010

The Hardest Part

Já me tinha esquecido do peso da tristeza no meu coração.
Já não me lembrava a que sabem,
as lágrimas,
de dor, de paixão, de impotência, de amor.

The Hardest Part
(aqui)


And the hardest part
Was letting go not taking part
Was the hardest part
And the strangest thing
Was waiting for that bell to ring
It was the strangest start

I could feel it go down
Bittersweet I could taste in my mouth
Silver lining in the clouds
Oh and I
I wish that I could work it out

And the hardest part
Was letting go not taking part
You really broke my heart
And I tried to sing
But I couldn't think of anything
And that was the hardest part

I could feel it go down
You left the sweetest taste in my mouth
You're a silver lining the clouds
Oh, and I
Oh, and I
I wonder what it's all about [x2]

Everything I know is wrong
Everything I do it just comes un done
And everything is torn apart
Oh and thats the hardest part
That's the hardest part
Yeah, thats the hardest part
That's the hardest part


Coldplay

26 de abril de 2010

Anjos & Demónios

Anjo
Numa destas madrugadas, passeava os meus cansados olhos pelos rostos e ruas conhecidas. Pousaram no desconhecimento absoluto. Repousaram no fundo dos teus olhos; aí permaneceram. Observando o reflexo de uma imagem de mim tão carinhosamente construída, o orgulho de uma vida completa encheu-me as faces de rubro. Acreditei piamente que alguém, bem longe daqui, num outro espaço, num outro tempo, tinha inventado e escrito toda a peça que as nossas personagens interpretaram de seguida. Todos os poros se abriram. Vulcanicamente ligados aos meus pulmões, toda eu era fogo, ar, terra, agua. Toda eu eras tu. Todo tu eras eu. Cada olhar faz-me sorrir, cada toque arrepia-me, vibrando em todas as minhas células. Resisto-me neste amor bom. Amor daqueles que só acontece uma vez. Como tem sido revisto nesses mass media defensores dos contos de fadas. "Não é possível ser mais feliz" disse eu. Na manhã seguinte percebi que não era assim. A cada segundo que passava fui sendo mais, mais, e mais, e mais... feliz! E agradeço-te e reconheço-te em cada esquina, a cada sopro do vento que despenteia o meu cabelo, a cada raio de sol que queima a minha pele de inverno. A cada noite que passa, eu sou mais tua e tu és mais meu. E assim quero ficar para sempre.


Demónio
Era noite. Breu escuro onde brilhava, solitariamente, a estrela. Ansiosa acabei por demorar-me na felicidade que me consumia. Parei, gelei, paralisei. Senti-me a desfazer, enquanto caia, cada vez mais fundo. Já não ouvia vozes, já não via sorrisos. Já não conseguia sorrir. Afastava-se cada vez mais, a luz da estrela que me iluminava nessa noite. Caí desamparadamente no centro da terra. Fantasmas, vampiros, zombies passeavam as suas horríveis figuras, convidando-me a entrar no mundo dos mortos. Ou dos demi-mortos, pelo menos. Mil almas surgiram da minha. Perseguiram-me com histórias, com memórias, de coisas trágicas que se foram passando de há mil anos para cá. Tenho frio. Tenho medo. Não vejo nada à minha volta. Apenas eu e as minhas disformes almas. Voltei à realidade que sempre conheci. Não sou mais do que um grão de areia. Não sou energia. Não tenho décima primeira dimensão. Nada vive dentro de mim. Sinto a minha pele rodeando uma criatura nua, suja e velha que vive no meu cérebro. Esconde-se, pequena, no canto mais escuro do meu interior. Tudo o resto já não existe. Não são órgãos, nem sangue, nem ossos. É pó. De uma fénix que ardeu até à exaustão.

Quem sou eu?
Não sei se quero saber.

15 de abril de 2010

Beleza

Fazes uma directa para ficar a rir de coisas num ecrã de computador;
As tuas mãos tremem antes de um beijo;
Dás comida a patinhos recém nascidos;
Atrofias com kizomba;
Marcas o teu passo ao som do teu mp3;
Fascinas-me dia após dia.
Fazes do meu mundo um lugar mais bonito para se viver!

22 de março de 2010

Garantia

O charme de um cigarro bem fumado acompanha a nostalgia de um vinho do porto amadurecido; vêm, ambas, bater-me à porta dos fundos. É um coelho, e a vida é um buraco. Quanto mais vamos caindo, mais vamos vendo. Mais vamos sonhando, mais vamos vivendo! E vou diminuir, e vou crescer, e vou diminuir, e vou crescer...

fluentemente.
Como se não houvesse amanhã.
Como se a vida fosse uma noite de sábado
e
a morte um amanhecer de domingo.
(Ponto final)

14 de janeiro de 2010

Id(entidades)

Para tudo na vida há codigos, regras, protocolos... Afirmações estúpidas de uma (id)entidade que, durante a maior parte do tempo, desconhecemos. Quando tudo falha, resta isso, a regra que te mantém ileso, como a supercola 3 com que colas uma jarra chinesa que partiste por desleixo. Mas, e quando, quebras também essas regras? O que é que fica? Os bocados da jarra? Ou a intacta memória da sua forma original? Não sei fazer novas regras nem criar novas id(entidades) por isso, não te sei dizer o porquê de não conseguir seguir em frente. Apenas sei descrever e chorar o que aconteceu, e cada vez mais, friamente. Como se a memória da jarra, também ela, fosse deixando de ser minha.

5 de janeiro de 2010

Lago

As primeiras estrelas da noite,
aparecem no brilho luminoso
da agua escura

Choro. Porquê? Não sei.
Talvez porque nada é errado e nada é certo.
Tudo é diferente e indiferente.

Acompanha-me um vagabundo como eu,
ele também chora

Reviravolta

Apesar do lado negro da vida estar muito ao de cima, bem como aquelas queixas que dizem que faço, no fundo eu sou uma optimista. Porque ainda luto, e não desisto nunca de nada. Eu estou aqui, tu não!

30 de dezembro de 2009

Nada

As hormonas revolvem-se no estômago. Sim ou Não?
Acabo por não decidir nada e deixo que decidam tudo por mim..
Sopro, bufo, grito, esperneio.
Espero um dia melhor,
um dia em que viva tudo de um só fôlego.
Quando é que a indecisão se vai embora?

11 de dezembro de 2009

A Lisboa dos meus recantos



É neles que me escondo. É deles que renasço. Obrigado pela noite.

7 de dezembro de 2009

Lisboa

A minha Lisboa é boa demais. Quero ficar aqui para sempre, fumando este cigarro, olhando este aqueduto! Agradeço-me a paciência. Não vou cair de novo.
Hoje vou sair da casca. Porque arriscar é preciso, e porque viver também.

2 de dezembro de 2009

Amarelo

Hoje quero musica no ouvido interno,
quero um sopro no coração,
com direito a lágrimas e tudo.

Fica-me o saber ainda sorrir,
o saber ainda amar.

Obrigado por todos os sorrisos e por todas as lágrimas!

o que me vai no ouvido interno e sisto:

http://www.youtube.com/watch?v=KLIboc0PFT8

28 de novembro de 2009

Sôfrego

Meia dúzia de palavras bastaram para se estabelecer o laço. Meia dúzia de charros o transformaram. Passou a algo sem nome e sem rosto. Morreu num beijo e ressuscitou num sopro do vento de inverno. Abriu-se me o peito. Soltou-se me a alma! O corpo ficou pairando sobre o teu vazio, disposto a acolher-me. O momento adensou-se num trilho de emoções por descobrir. Agora quero mais e não sei como parar. Chama-me. Desta vez vou.

14 de novembro de 2009

21

Só naquela decidi mudar o nome do blog. Agora já são 21 luas e 21 sóis nascentes. E que cada dia sejam mais.

Ubuntu*

31 de outubro de 2009

Indochina

Masi uma vez o despertador tocou às 10 em ponto. Mais umas quantas vezes olhei pela janela, vi a luz, e pensei... ah e tal, só mais um bocadinho. Posto isto o acordar tem sido por volta das duas ou três. Porém, hoje, em vez do despertador, o telemóvel tocou. Num ápice puz me de pé e acordei.
Depois vieram mundos e fundos para me colocar no devido lugar a tempo. Consegui. 1 rídiculo minuto de atraso! Seguiu-se toda a panóplia do habitual. Duas, três crises existências, meia dúzia de piadinhas secas e pronto. Hora da pausa. Entre um cigarro e outro veio a confusão e um pânico muito díficil de entender. E depois a decisão. E abri-me de preconceitos. Deieti-os todos a um Ganges invisivel no qual, de seguida me banhei. É a Indochina de novo. Aqui bem perto. De mim.

28 de outubro de 2009

Açúcar dos dias

Fogem me as palavras. Esconde-se a coragem. Faltam-me os abraços.
Sinto dor e não sei de onde vem. Sinto-me a ser excluída da minha vida.
As minhas acções tornam-se obtusas, absurdas... Teimosas para todos os demais. Queria chorar, queria berrar, barafustar contra o mundo. Mas não sou capaz. Sei que não está para mim ninguém que me ouça. Ninguém que me veja. Queria teimar em evitar este desaparecimento de mim, esta invisibilidade que me transcende. Mas farto-me às vezes, de dar sem receber.

Tento chegar a toda a parte, e me parece que cada vez, me afasto e me perco mais. Sem qualquer açúcar dos dias.