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28 de outubro de 2011

A falar 'e que a gente se entende

O que são palavras,
senão pedaços do espelho,
que reflecte a tua alma?

O que são palavras,
senão laminas,
de encontro ao teu peito?

O que são palavras,
senão mecanismos,
vivos e transcendentes,
de se sofrer?

O que são palavras,
senão a arma,
sempre escolhida,
para nos assassinar?

22 de novembro de 2010

Quando é que paramos de crescer?

Quando era pequena, imaginava sempre...
E imaginava, no intimo mais intimo dos meus pensamentos,
que um dia, pararia de crescer, ou pelo menos, que cresceria a um ritmo diferente.

Isto porque, crescer sempre me doeu,
(sempre soube maior que crescimento do meu corpo de miúda)
e imaginava eu,
que o medo, a duvida, os mil porques e porquês,
parariam também.

Hoje, porém, ainda duvido mais,
e duvido-me sempre todas as manhãs,
se algum dia,
este fardo de crescer, vai parar.

Pois se parasse, e é isso que desejo,
talvez conseguisse perceber,
que nunca foi um fardo,
sempre foi viver.
apenas foi viver a vida que talvez nunca tenha querido ter.

18 de julho de 2010

Completa-mente

Estou na Índia.
Não tenho palavras para descrever,
o que este contraste tão estranho,
faz sentir na plenitude do meu ser.
Sinto-me completa aqui.
Finalmente.

Faltam-me as boas histórias,
das pessoas com quem quero permanecer.
Contadas nos olhos de quem sente,
que o tempo e pouco,
para tudo o que queremos viver.

Fechei os olhos finalmente.
Sonhei que estavas a dormir ao meu lado.
A aquecer os meus sonhos,
gelados do frio.

A realidade de viver aqui,
num quasi conto de fadas
é um puzzle,
onde faltam pequenas grandes peças,
que que, espero
no mais puro de mim,
se consigam completar.

E no meio da bagunça
que é a minha conjectura externa,
consigo estar surpreendente-mente,
feliz.
Abençoada por tanta riqueza.

Every dark cloud has a silver lining.

4 de junho de 2010

Expectation Management

Tenho uma balança no fundo dos meus olhos que mede,
mede sem parar,
incansavelmente,
até ao dia acabar.

Mede o amor, mede o ódio;
mede a razão, mede a loucura;
mede-me a cada passo que dou.

Faz-me saber onde estou.

Mas, tu vens.
E dizes-me que vens.
E eu perco-me,
numa nuvem de cinzas,
cremações de há milénios atrás.

Não sei o que esperar.
Não sei esperar.
Mas quero que venhas,
e me acordes.
Tenho andado a dormir!

Desperta-me os sentidos,
foca-te no meu gesto.
Acaricio-te
as cores,
os pormenores,
os olhares,
os pensamentos,
os ósculos.

Sempre e cada dia mais,
deslumbrada.
Ao amanhecer.

30 de maio de 2010

Espelho meu

Que sejamos bue sempre o espelho um do outro,
reflectes me a minha imagem
reflicto te a tua imagem
sabes sempre de mim,
e eu de ti,
sabemos sempre de nós.

Nós demos um nó,
entrelaçamos ambas linhas de vida.
Faremos de dois caminhos um só.
E seremos mais fortes por isso.
Porque nos temos.

19 de abril de 2010

Em Ácidos

Ofuscam-se os teus olhos nos meus,
não me escondo,
não me culpo,
nada me impede de ceder,
tudo me impele a nascer.

Todos os dias,
um de cada vez,
cada toque a derreter,
numa temperatura diferente.
Irreverente.

Dor latente...

de saber que temos segundos contados,
mas, à revelia do que é fluente,
morrer a cada beijo,
e ressuscitar sempre a cada olhar.

Luses ofuscantes de uma pista,
de corpos lívidos do alcóol
queimados pelo calor da gente.
E viajas. E eu viajo.
Nós viajamos.
Como se não houvesse amanhã

29 de março de 2010

Leve

Batem leve, levemente,
Como quem,
batem por mim.
São as horas das ruas mortas,
e da cerveja sem gás.
Do alto da colina,
à margem do Rio.

Aqueduto dos tempos livres,
das manhãs fluorescentes,
das palavras dormentes,
dos rabiscos a florescer.
A perder de vista em águas mil,
um dia destes.

A virtude aniquila o poder.

19 de março de 2010

Aprende!

Onde estão as vozes ocas da magia do desconhecido?
Onde está aquela fotografia,
aquele prato,
aquela musica no meu ouvido?
Tantas vezes prometido.
Ainda esquecido..

Como o tempo que ainda não vivemos juntos,
e do qual já nos esquecemos.

Promessas ocas leva-as o vento.
Onde está ele?

19 de janeiro de 2010

Homens Maus

Só ficou o frio do Inverno.
Num novo dia, o homem perderá a cauda.
Todos os vícios serão acabados.

Mas, por enquanto,
nada é certo,
Somente...
Entre muros,
Dentro do espelho,
em inglês Stud, ou
em latim carnibus,
Só resiste a este frio o verdadeiro animal.

Já estes senhores,
como donos da palavra que são
vêm-nos dizer algo bom,
através da sua canção.
Porque,
Pelo lado de dentro,
Somos todos Homens Maus!

29 de dezembro de 2009

Adeus

Escrevo-te mais este silêncio
Escrevo-te porque te perdi
Escrevo-te porque te perdi em mim.

Escrevo-te,
as saudades do teu toque,
do conforto dos teus braços
à volta da minha cintura.

Escrevo-te porque não to consigo dizer.
Não digo, apenas penso..
E se por um acesso de loucura o digo,
digo baixinho para que não me possas nunca ouvir.

Escrevo-te porque já não tenho mais razão
Nem sei se alguma vez tive.
Diz-me tu. Diz-me algo.

Suspira-me um segredo teu,
como se o que passou, nunca tivesse passado.

Escrevo-te, com a vontade de escrever-te sem fim,
um livro,
uma biblioteca,
só feita das nossas mágoas e dos nossos sorrisos;
feita de um nós que já não consigo lembrar..
Exististe? Amei-te? Amo-te?

Tudo pareceu de propósito sem nunca o ter sido.
Conta-me a tua história de mim,
para que te possa, um dia, dizer:
adeus.

25 de dezembro de 2009

O Estranho entranha-se

Montes acima pelo horizonte,
escalámos as nuvens em busca de nós.
Partimos numa manhã de nevoeiro em que alguém chegaria.

Andámos dias, meses.. anos dentro da nossa imaginação,
e sonhámos cores, sonhámos dores..
dauqelas que fazem rir,
como obtusas, teimosas
partidas de um destino duvidoso,
previsto por alguém que não fazia a minima ideia do que estava a fazer!
No fundo, ubuntu!
O tudo e o infinito demoram-se, numa dança quente,
energénica,
vibrante,
envolvente!

Continuo a querer aqui e agora. Resisto-me na imensidão dos odores. Até Já!

Natal

Passei pelas três casas da minha Lisboa, quantas sorrisos em quantas janelas!
Apenas não passei pelo lar original. O pássaro voa cada vez mais longe...
... longeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee...........................

O telefone toca.
O coração parte.
Vejo a alma cair-me aos pés.
Despida, Vazia.

O vento traz-me a infância dos bacalhaus,
tudo está no copo meio cheio,
ou no copo meio vazio.
Eu estou onde quero estar.
Feliz, não renuncio à família que,
todos os dias,
escolho.
Sim, escolho!

Restas-me tu, anjo..
Luz das minhas tardes ensolaradas.
Permaneces-me no sangue,
eternamente teu.
eternamente nosso, mana.

7 de dezembro de 2009

Fénix

O amor é o único acto chocante que resta no planeta.
Ninguém usa a sua bandeira,
ninguém fala no seu nome.

Fecha-me os olhos e leva-me.
Leva-me a esse lugar estranho,
onde os rostos não tem alma
e os sorrisos não têm luz.

Transforma-me em gelo,
faz de mim um poço sem fundo..
Agora as pedras batem todas cá dentro.
E é úma dor impossível de suportar.
Matem-me mais uma vez.
Quero ser fénix.

23 de novembro de 2009

Praticamente Demente

O Grito já vinha a calhar!
O "pó caralho" do tempo dos peste & sida,
e dos contentores e das cervejas na parte de trás de camiões.
- é o perder-me em mim própria, tendo que,
quase sempre sair de mim. Para encontrar-me a seguir.

Reencontrar-me sempre.
Recuperar a fénix, e o caleidoscópio. E todas as outras,
entidades desconhecidas.

Rouba-me aquele beijo de novo. Mata-me.
Interrompem-me o espirito e a confiança.
Foge me o sorriso, foge me a alma.
O fumo flui na direcção do vento, quero ir...
Viajar e ficar por lá - num lugar
onde as estrelas não se contam,
e os raios de sol são tão benéficos para a saúde como os raios de luar!
Dá-me o teu lado lunar.

(folêgo de missão cumprida)

15 de novembro de 2009

Quero

Um abraço,
Sorriso,
Luz,
Alma,
Vida,
Paz,
Chocolate,
Amêndoas,
Castanhas e frutas de natal.

Está-me nas veias, e estou-me nas tintas;
não quero mais ser o passado apagado
de nenhum nome esquecido.
Quero. Quero. Quero...

morrer e voltar de novo,
reencarnada num qualquer dorso,
de um qualquer albatroz!

As minhas asas são infinitamente maiores,
que o pequeno dorso,
do meu pequeno albatroz.

24 de outubro de 2009

Mundo

Mundo.
faz-se devagarinho,
sopra-me ao ouvido,
só mais esta canção!

Aquelas algeres notas do coração,
espasmos mariquitas de contentação.
Maravilhas da física e química do adn,
corpos mutilados, empilhados, presos,
como numa interminável canção.

Sonha o sopro do vento,
no ouvido teu.
Afoga as lágrimas.
Corre, foge do tempo.
Deixa sempre que o tempo fuja de ti.
Como quem luta por algo que pertence ao céu,
num infinito de estrelas que ainda ninguém,
se atreveu a contar.

21 de outubro de 2009

Grande

Hoje conheci Gobby,
saxofonista de profissão,
vagueou de Nova Iorque a São Francisco
três tristes anos fechado na ideia de Europa
na caixa quadrada dos filmes de Quentin Tarantino,
desejando apenas um ouvido, uma canção,
de quem acredita que não há não!

De quem,
de seus olhos fárois apreciaram a beleza,
de seus cabelos brancos em pele preta,
manchada pela sujidade das ruas;
sujidade das pessoas que nela passam,
e, na poluiçao que deixam como rasto eterno.
Essa substância é contaminação constante,
é sermos fetos e puros, e ao nascermos,

começarmos sempre a morrer.

28 de setembro de 2009

Tábua Rasa

Fingir que nada se sabe
é o primeiro passo para algo se saber

Aprender e desaprender
é o ciclo do crescer,
e do teimar,
em não desaparecer

Sermos almas plenas
É nunca as termos por pequenas

A transcendência, essa
vai ficando pelos areais das praias desertas
dos nossos sonhos. Breves.
Como a chama que sempre se apaga
quando a vela arde até ao fim

2 de junho de 2009

Para ti

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer

(Eugénio de Andrade)

Recorda quem já foste, recorda o que já viveste, recorda os caminhos que percorreste. Recorda o teu papel no(s) teu(s) mundo(s). 
Tu importas. Com toda a tua força, tu importas-me. E preocupo-me por sentir que  não te posso dar o meu ombro tantas vezes quanto gostaria. 
A luz e as trevas hão de sempre estar presentes... mas por muito que haja dias em que o sol parece que não brilha para nós, no teu fundo do teu ser, tu sabes que vale a pena. 
Estou contigo e hoje queria que soubesses isso.

3 de maio de 2009

Rastos e restos de ridiculos poemas de amor!

Não me precisas.
Não me amas.
Não me queres
O que estás a fazer dentro de mim?

Sou a sombra de quem foges
Sou o pedaço de luz onde te vais encontrar

Hoje acordei. Olhos cerrados, dormentes... doentes. Loucos de saberem, que ao abrir,
não te vão ver

Sou tua. Como alma num corpo que não me pertence.

Trazes vestida a cor do teu amor duro,
misturada com a cor da minha paixão quente!
Pintada no teu corpo,
mole e dormente.

Amo-te gigantemente.
Amo-te assim, porque no fim,
nunca mais vou poder dizer-te
que te amo assim!

A minha liberdade: perco-a infinitamente mais, quando começa a tua.