29 de outubro de 2011

V

Vulgo ver nesse verdete,
vedeta vacilando,
viciada em drogas voláteis,
do verde ao vermelho,
vinculo sempre viscoso.

Vislumbra a vigia da verdade,
sem ver ventania que a derrube,
Pois virão violas, violinos e violoncelos,
para vingar aquela que só será tua,
a virtude da vingança.

28 de outubro de 2011

A falar 'e que a gente se entende

O que são palavras,
senão pedaços do espelho,
que reflecte a tua alma?

O que são palavras,
senão laminas,
de encontro ao teu peito?

O que são palavras,
senão mecanismos,
vivos e transcendentes,
de se sofrer?

O que são palavras,
senão a arma,
sempre escolhida,
para nos assassinar?

22 de outubro de 2011

Viagem

E 'e só depois de bem mais de um ano, que pego, lentamente no computador e escrevo.
E 'e só depois de bem mais de um ano, que concluo, que nunca foram os sítios, nunca foi só uma imagem, ou uma língua, ou um povo, ou um faduncho passado. Sempre foram as pessoas. Essas que dão vida aos lugarejos, que aquecem o teu coração, e te fazem ver o céu e o mar, um infinito azul. Sempre foram as memorias e os desejos. Desses, para esses. Viajantes.


"O povo português e, essencialmente, cosmopolita. Nunca um verdadeiro português foi português: foi sempre tudo."

Pessoa

E cito Pessoa, alguém português de bom nome. Bem sei, outros povos também assim o hão-de-ser, apenas não tiveram este Pessoa, ou se tiveram, eu ainda não tive a graça de os conhecer. Ainda.
Voltar, com pés e cabeça, com olhar, cheiro e sabor, não foi voltar, foi encontrar de novo a viajante que se perdeu no caminho, e começar, de novo, sempre de novo, um novo caminhar numa nova viagem.


"A viagem não acaba nunca. So os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memoria. (...) E preciso voltar aos passos que foram dados. Para os repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. E preciso recomeçar a viagem. Sempre."

Saramago

Perdoem-me os erros. O computador 'e inglês e não conhece acentos no teclado.