15 de junho de 2009

Dor

Doi me a alma e doi me o corpo. Doi me falar e doi me pensar. Doi me tudo o que me aproxima deste mundo de espelhos, tudo o que dele nao me afasta. Doi me a coluna, as vertebras e os musculos do pescoço. Acho que estou cansada, não de mim, nem do que me faço rodear. Mas do resto.
Sinto saudades de quando achava que o mundo estava a distancia de pequenos gestos. Sinto saudades de querer, de desejar o mundo. Sinto saudades da minha ignorancia feliz. Sinto saudades daquelas preocupações da infancia "oh pai porque e que nao posso ir a festa de anos da nao sei quantas" e "oh mae nao quero comer sopa". Sinto saudades da minha pequenez em oposição ao mundo gigante.
Hoje sinto me grande, e sinto o mundo demasiado pequeno. Tudo é igual. O que muda os dias é a temperatura, o vento, a cor do céu e o que vestes em função disso tudo. De resto é sempre igual. Até as conversas já são iguais. A novidade, quando vem, se vem... transmite apenas uma apatia estupefacta, de tanto que já não a sabemos reconhecer, quanto mais valorizar. Entristece me tudo isto, entristece me poder escreve lo mas nao me atrever pronuncia lo.

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